Vimos a público manifestar pesar pelo falecimento do professor Roberto Carlos Farias do Departamento de Línguas Vernáculas da UNIR, ocorrido ontem. Não resistindo à cirurgia cardíaca a qual fora submetido, no Hospital de Base de Porto Velho, Roberto Farias, como gostava de ser chamado, deixou comoção em muitos amigos, colegas, alunos, ex-alunos e admiradores.
Roberto tinha apenas 45 anos. Nasceu em 11 de dezembro de 1963
A cidade de Fortaleza não oferecia condições de emprego e era, nas palavras do próprio Roberto, relatadas em 2007 “uma cidade provinciana”. Mesmo cursando Letras
Roberto como todo jovem pobre, se insere nas lutas estudantis, conciliando o tempo de trabalho e as constantes mudanças de casa. Uma ocupação na Avenida Campos Sales, atual zona sul, foi o primeiro lugar em que morou. Não havia energia, água, nem banheiro. “Em um ano mudávamos
Desde jovem, já exercia atividade política no Ceará e buscou na UNIR dialogar com ativistas do Movimento Estudantil. Descobriu no DCE um espaço de participação e intervenção política dentro da Universidade. Assume a luta pela democracia na UNIR, à época da intervenção. Somou-se a tantas outras que reivindicavam um Ensino Público de qualidade que vai fazer parte de toda sua história enquanto ativista do Movimento Estudantil. Ingressou na segunda gestão da Diretoria do DCE/UNIR, em 1986, como Diretor de Cultura. Roberto lembrava como era o vigor da luta dos estudantes que entre outras lutas, exigiam a imediata eleição para Reitor. Foi um período conturbado na história da instituição, que vai culminar com a histórica greve de 1988, unificada entre os três segmentos e tendo como principais protagonistas os estudantes.
A produção para o teatro, para a música florescia na cidade e refletia isso nos eventos culturais na Universidade organizada pelos estudantes. A referência era a Universidade e lá Roberto com outros estudantes do curso de Letras construíram grandes intervenções culturais na escadaria da UNIR Centro, o “território livre dos estudantes”, dentre as principais atividades era o CCPC (Concurso de Crônicas, Poesias e Contos) e movimentou em 7 edições o cenário cultural da cidade, assumido pelo DCE e posteriormente pelo Departamento de Letras, onde Roberto vai ser professor.
Roberto ingressou na UNIR como professor em 1990, lecionando no Campus de Rolim de Moura e posteriormente transferiu-se para o Campus de Porto Velho. Exemplo de história de participação ativa dos estudantes da UNIR torna-se professor com uma extrema dedicação e mantendo a defesa por um ensino Público de qualidade, não só no discurso, como na prática.
Foi exemplo de um defensor da democratização da cultura nos espaços da Universidade e fora dela. Nunca quis aparecer muito. Gostava de ajudar e servir às lutas que considerava serem justas. Lutava contra todo e qualquer tipo de preconceito.
Lembremos de Roberto não com tristeza, mas com alegria pelas melhores recordações que tivemos. A recordação da delicadeza com as crianças, dentre aquelas as que ele oferecia os “sorvetes de gafanhoto”. A alegria da valorização da arte cultural nos diversos cenários da periferia de Porto Velho. A alegria de doar-se sem querer promoção individual, mas a coletividade.
É o Roberto Farias, presente nas diversas manifestações culturais das ruas, guetos e entre os marginalizados de nossa cidade. Sempre jovial como estudante e professor. Que a Universidade possa valorizá-lo fazendo memória à sua história, concedendo ao Teatro do Campus José Ribeiro Filho seu nome.
Porto Velho, 23 de abril de 2009.
Diretório Central dos Estudantes – DCE/UNIR – Gestão A Luta Continua
Amigos do Professor Roberto Farias