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Publicado em: 23/04/09
DCE divulga carta em homenagem ao professor Roberto Carlos Farias

Vimos a público manifestar pesar pelo falecimento do professor Roberto Carlos Farias do Departamento de Línguas Vernáculas da UNIR, ocorrido ontem. Não resistindo à cirurgia cardíaca a qual fora submetido, no Hospital de Base de Porto Velho, Roberto Farias, como gostava de ser chamado, deixou comoção em muitos amigos, colegas, alunos, ex-alunos e admiradores.


            Roberto tinha apenas 45 anos. Nasceu em 11 de dezembro de 1963 em Bento Ribeiro, Município do Rio de Janeiro. Os pais eram de Groaíras, sertão do Ceará e ao fugirem da seca que assolava sua região se instalaram no Rio de Janeiro. Morou no Rio de Janeiro até os 9 anos de idade, quando a família voltou ao Ceará e se instalou em Fortaleza.


            A cidade de Fortaleza não oferecia condições de emprego e era, nas palavras do próprio Roberto, relatadas em 2007 “uma cidade provinciana”. Mesmo cursando Letras em uma Universidade Pública Estadual, resolveu trancar o curso e arriscar a vida em Rondônia. Estava no 3º período. “Na época falavam que em Rondônia as ofertas de emprego, mesmo sem muita experiência, eram muitas”, dizia Roberto sorrindo, relembrando os tempos em que chegou a Porto Velho. Veio com um grupo de 5 amigos e aqui, de fato conseguiu emprego, mesmo “não sendo tão fácil”. Acabou descobrindo que aqui havia uma Universidade Federal, que à época funcionava onde hoje é a UNIR Centro, consegue ingressar na UNIR, na segunda turma do curso de letras, em 1984 e concluiu o curso em 1987.


            Roberto como todo jovem pobre, se insere nas lutas estudantis, conciliando o tempo de trabalho e as constantes mudanças de casa. Uma ocupação na Avenida Campos Sales, atual zona sul, foi o primeiro lugar em que morou. Não havia energia, água, nem banheiro. “Em um ano mudávamos 5 a 6 vezes”, lembrava, já que “a facilidade encontrada em ofertas de emprego, não era a mesma quando se tratava de moradia”. Era um período de efervescência do Movimento Estudantil e este jovem migrante se inseriu neste processo.


            Desde jovem, já exercia atividade política no Ceará e buscou na UNIR dialogar com ativistas do Movimento Estudantil. Descobriu no DCE um espaço de participação e intervenção política dentro da Universidade. Assume a luta pela democracia na UNIR, à época da intervenção. Somou-se a tantas outras que reivindicavam um Ensino Público de qualidade que vai fazer parte de toda sua história enquanto ativista do Movimento Estudantil. Ingressou na segunda gestão da Diretoria do DCE/UNIR, em 1986, como Diretor de Cultura. Roberto lembrava como era o vigor da luta dos estudantes que entre outras lutas, exigiam a imediata eleição para Reitor. Foi um período conturbado na história da instituição, que vai culminar com a histórica greve de 1988, unificada entre os três segmentos e tendo como principais protagonistas os estudantes.


            A produção para o teatro, para a música florescia na cidade e refletia isso nos eventos culturais na Universidade organizada pelos estudantes. A referência era a Universidade e lá Roberto com outros estudantes do curso de Letras construíram grandes intervenções culturais na escadaria da UNIR Centro, o “território livre dos estudantes”, dentre as principais atividades era o CCPC (Concurso de Crônicas, Poesias e Contos) e movimentou em 7 edições o cenário cultural da cidade, assumido pelo DCE e posteriormente pelo Departamento de Letras, onde Roberto vai ser professor.


            Roberto ingressou na UNIR como professor em 1990, lecionando no Campus de Rolim de Moura e posteriormente transferiu-se para o Campus de Porto Velho. Exemplo de história de participação ativa dos estudantes da UNIR torna-se professor com uma extrema dedicação e mantendo a defesa por um ensino Público de qualidade, não só no discurso, como na prática.


            Foi exemplo de um defensor da democratização da cultura nos espaços da Universidade e fora dela. Nunca quis aparecer muito. Gostava de ajudar e servir às lutas que considerava serem justas. Lutava contra todo e qualquer tipo de preconceito.


            Lembremos de Roberto não com tristeza, mas com alegria pelas melhores recordações que tivemos. A recordação da delicadeza com as crianças, dentre aquelas as que ele oferecia os “sorvetes de gafanhoto”. A alegria da valorização da arte cultural nos diversos cenários da periferia de Porto Velho. A alegria de doar-se sem querer promoção individual, mas a coletividade.


            É o Roberto Farias, presente nas diversas manifestações culturais das ruas, guetos e entre os marginalizados de nossa cidade. Sempre jovial como estudante e professor. Que a Universidade possa valorizá-lo fazendo memória à sua história, concedendo ao Teatro do Campus José Ribeiro Filho seu nome.


Porto Velho, 23 de abril de 2009.


Diretório Central dos Estudantes – DCE/UNIR – Gestão A Luta Continua


Amigos do Professor Roberto Farias



Fonte: UNIR

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