Publicado em: 13/03/2026 09:30:24
Estudo realizado no campus de Presidente Médici investiga o potencial de um resíduo da mineração como alternativa de baixo custo
Uma pesquisa desenvolvida no campus de Presidente Médici da Universidade Federal de Rondônia (UNIR) investiga o potencial do pó de rocha (de pedra brita) como alternativa sustentável e de baixo custo para a adubação de pastagens. O estudo é coordenado pela professora pesquisadora Elaine Delarmelinda, do curso de Zootecnia e do Programa de Pós-Graduação em Agroecossistemas Amazônicos.
O objetivo da pesquisa é avaliar o uso do pó de rocha como fertilizante para plantas forrageiras cultivadas em pastagens. Atualmente, esse material é gerado como resíduo no beneficiamento da brita no estado e não possui valor econômico. Segundo a pesquisadora, transformar esse resíduo em insumo agrícola pode trazer benefícios econômicos, sociais e ambientais: “O pó de rocha pode se tornar uma alternativa muito mais barata em comparação aos fertilizantes comerciais, além de permitir o aproveitamento de um resíduo que hoje não tem destinação produtiva”.
Etapas da pesquisa
Na primeira fase do estudo, os experimentos foram conduzidos em casa de vegetação, com o cultivo de plantas forrageiras em vasos para identificar as doses de pó de rocha com maior eficiência econômica.
Os pesquisadores também testaram o uso do material associado ao digestato, resíduo proveniente de biodigestores instalados em propriedades rurais. Além da produção de biogás, esses equipamentos geram um subproduto rico em nutrientes, especialmente nitrogênio, que pode ser utilizado para melhorar a fertilidade do solo.
Com base nos resultados iniciais, a pesquisa entra agora em uma nova etapa: experimentos em campo, onde as forrageiras mais utilizadas na formação de pastagens na região serão avaliadas em condições reais de cultivo.
Avaliação do desenvolvimento das pastagens
O pó de rocha pode ser aplicado de duas formas nas áreas de pastagem: incorporado ao solo durante a implantação da pastagem ou distribuído a lanço ao longo do ciclo de produção, como adubação de manutenção.
Para avaliar os resultados, os pesquisadores analisam indicadores como altura das plantas, diâmetro do colmo, número de perfilhos e produtividade, medida em toneladas por hectare.
Rochas estudadas
O estudo investiga o potencial do pó de rocha, um resíduo gerado no beneficiamento da brita produzida principalmente a partir de granitos, rochas abundantes na região central de Rondônia e com potencial de fornecer potássio, nutriente essencial para o desenvolvimento das plantas e um dos componentes mais caros dos fertilizantes comerciais.
Resultados da pesquisa
Os primeiros resultados obtidos em casa de vegetação indicam que plantas cultivadas com pó de rocha apresentaram desenvolvimento igual ou superior às cultivadas com fertilizantes convencionais.
Esses dados apontam para a possibilidade de reduzir custos de produção na pecuária e, ao mesmo tempo, ampliar o aproveitamento de resíduos minerais.
Impacto regional
Além de contribuir para soluções agrícolas sustentáveis, o projeto também fortalece a formação acadêmica na universidade. A iniciativa já resultou em quatro monografias do curso de Zootecnia e uma dissertação de mestrado no Programa de Pós-Graduação em Agroecossistemas Amazônicos da UNIR. E a dissertação vinculada ao projeto foi reconhecida no III Prêmio UNIR de Melhor Dissertação e Tese – Edição 2025, recebendo o título de melhor dissertação do programa.
Para a coordenadora do estudo, a pesquisa desenvolvida na UNIR tem potencial de gerar impacto direto na produção agropecuária de Rondônia. Ao propor o uso de insumos alternativos e mais acessíveis, o estudo pode contribuir para reduzir custos para produtores rurais, incentivar práticas sustentáveis e valorizar recursos disponíveis na própria região.
Se confirmados em campo, os resultados poderão ampliar o uso do pó de rocha como fertilizante em pastagens, fortalecendo a relação entre pesquisa universitária, inovação agrícola e desenvolvimento regional.