CAR e Ornitobio: ciência, céu e biodiversidade na UNIR


Publicado em: 02/07/2026 11:18:21

Pesquisas em astronomia e ornitologia aproximam a universidade da comunidade rondoniense


A Universidade Federal de Rondônia (UNIR) abriga dois projetos que conectam ciência, educação e sociedade de maneiras distintas, mas igualmente impactantes: o Clube de Astronomia e Ciências de Rondônia (CAR) e o Grupo de Pesquisa em Ornitologia e Biodiversidade da Amazônia (Ornitobio). Ambos têm transformado conhecimento acadêmico em experiências acessíveis à população.

Fundado em 2017, o CAR é um grupo de pesquisa vinculado ao curso de Física da Faculdade de Ciências Exatas e da Terra da UNIR, campus Porto Velho. Seu objetivo vai além da pesquisa acadêmica: levar o conhecimento científico à comunidade rondoniense de forma simples e gratuita, despertando o interesse de crianças, adolescentes e jovens pelo universo e pelas ciências naturais.

Coordenado pelo professor Ariel Adorno, o Clube reúne pelo menos 10 docentes, e mais de uma centena de estudantes de ensino médio, graduação e pós-graduação, além de colaboradores externos. Entre os membros ativos estão Jean Carlos, Raul Pommer e Richard Cadial, da Galeria dos Meteoritos.

Equipamentos que aproximam

O CAR dispõe de telescópios para observação do céu noturno, uma coleção de meteoritos e fósseis, equipamentos de astrofotografia e atividades desenvolvidas em parceria com a Biologia.
Esses equipamentos não ficam restritos aos laboratórios. São utilizados em pesquisa, ensino e extensão, em eventos públicos e gratuitos que levam astronomia e ciências da natureza a diferentes públicos.

Eventos que mobilizam a cidade

Mensalmente, o CAR realiza observações astronômicas, na Praça Jacques Demolay, em Porto Velho, em parceria com a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (SEMA). A população pôde observar a Lua com telescópios, identificar constelações, visualizar astrofotografias e aprender sobre meteoritos.

O evento integra uma programação que se estende por todo o ano de 2026, com novas edições mensais divulgadas pelo perfil do Instagram (@clubedeastronomia_). O Clube também mantém agenda aberta para atendimento a escolas e já realizou expedições itinerantes para municípios do interior, como Alto Alegre dos Parecis.

Todas as atividades contam com acessibilidade, incluindo intérpretes de Libras para pessoas surdas.

Ornitobio: o voo da ciência pela biodiversidade amazônica

Enquanto o CAR explora o cosmos, o Ornitobio volta seu olhar para a biodiversidade amazônica. O Grupo de Pesquisa em Ornitologia e Biodiversidade da Amazônia, também vinculado à UNIR, nasceu com a missão de unir pesquisadores e aproximar a ornitologia de todos os públicos.

Com perfil ativo no Instagram (@ornitobio), o grupo transforma descobertas sobre aves em conhecimento, curiosidade e respeito pela natureza, atuando nas áreas de ciência, conservação e educação ambiental.

A observação de aves ou birdwatching deixou de ser apenas um hobby para se consolidar como uma ferramenta científica e estratégica de monitoramento ambiental. As aves são consideradas bioindicadores: sua presença, ausência ou comportamento refletem diretamente a saúde dos ecossistemas. Em um cenário de crise climática, desmatamento acelerado e perda de biodiversidade na Amazônia, acompanhar as populações de aves é uma das maneiras mais eficazes de medir o impacto humano sobre o meio ambiente.

O Ornitobio atua na fronteira entre a pesquisa acadêmica e a ciência cidadã. Por meio de plataformas colaborativas como o WikiAves e Ebird, maiores bancos de dados de aves do Brasil. Qualquer pessoa pode contribuir com registros fotográficos e sonoros que alimentam pesquisas científicas. Um observador amador que fotografa uma ave rara no quintal de casa pode, sem saber, estar fornecendo dados valiosos para um estudo de distribuição geográfica ou conservação.

Na UNIR, essa conexão entre ciência e sociedade se materializa em expedições de campo, cursos de identificação de aves e atividades de educação ambiental que envolvem estudantes, professores e a comunidade. O grupo também produz conteúdo digital acessível, aproximando a ornitologia de quem nunca teve contato com a área.

Para além da conservação, as aves são um instrumento de pesquisa transversal. Na UNIR, estudos ornitológicos dialogam com disciplinas como ecologia, evolução, biogeografia, educação ambiental e até física já que tecnologias de rastreamento e modelagem de rotas migratórias envolvem conceitos avançados de análise de dados e sensoriamento remoto.