Publicado em: 30/08/2017 15:26:30.228
A proteção e defesa da autonomia da universidade brasileira e a sua consolidação como foro de debates sobre os problemas atuais foi a tônica da aula magna proferida pelo reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Roberto Leher, na noite de ontem, 29, no auditório Paulo Freire, no campus de Porto Velho da Fundação Universidade Federal de Rondônia (UNIR).

O evento marcou oficialmente a abertura do semestre letivo, integrando, também, a Semana de Acolhimento aos Discentes, realizada pela Pró-Reitoria de Cultura, Extensão e Assuntos Estudantis (PROCEA) com o intuito de promover maior integração entre os alunos e docentes e recepcionar, especialmente, os alunos novatos.
A mesa de honra da aula magna foi composta pelo reitor da UNIR, Ari Ott; pela pró-reitora de Cultura, Extensão e Assuntos Estudantis, Marcele Regina Nogueira Pereira; e pelo palestrante convidado Roberto Leher, reitor da UFRJ.
Doutor em Educação Pública, Leher integra comitês editoriais de vários periódicos, como Educação e Sociedade, Margem Esquerda, Outubro, Temporalis, Trabalho Necessário, Humanidades (Costa Rica) e Universidade e Sociedade. É professor colaborador da Escola Nacional Florestan Fernandes e é pesquisador do CNPq e bolsista do programa Cientistas de Nosso Estado-FAPERJ.
Na aula magna, o auditório Paulo Freire estava repleto de novos acadêmicos, professores da UNIR, diretores de núcleos, diretores de campi e pró-reitores da UNIR. Na oportunidade, o ilustre palestrante discorreu sobre a relação entre a universidade e a democracia, abordando os desafios e as perspectivas. Assim, a atual reforma do ensino médio é, segundo ele, algo merecedor de discussões científicas aprofundadas, não sendo bom para o país que tais mudanças sejam implementadas de uma forma que lhe parece acelerada e pouco refletida.
O reitor da UFRJ observou, também, que algo que tem gerado preocupação é o distanciamento entre o que está sendo anunciado pela publicidade oficial e o que está sendo vivenciado no cotidiano dos estudantes do ensino médio. E deu como exemplo a ausência de cursos profissionalizantes nas escolas, apesar de constarem na propaganda do governo.Ainda sobre essa questão, Leher ressaltou que hoje as escolas não dispõem da infraestrutura necessária para se criar uma nova rede de formação profissional.
Ele defendeu, por outro lado, o fortalecimento dos institutos federais, que reúnem mais de 700 unidades de ensino em todo o país. Ele avaliou que a reforma empreendida pelo governo federal vai na contramão da tendência mundial de uma formação cultural e científica mais ampla no ensino médio.
No que se relaciona às instituições públicas de ensino superior, Leher observou que elas são o melhor local para as discussões sociais e implementações de inovações, o que só pode ser alcançado por meio de pesquisas e debates.