Pesquisadores da UNIR publicam trabalho de descrição linguística inédita de língua indígena amazônica


Publicado em: 28/11/2017 10:10:00.196


            O artigo intitulado “O warázu do Guaporé (tupi-guarani): primeira descrição linguística”, publicado na última edição da Revista Científica LIAMES, da Unicamp, foi escrito pelos professores doutores Henri Ramirez, Valdir Vegini e Maria Cristina Victorino de França, do Departamento de Línguas Vernáculas (DLV) da Fundação Universidade Federal de Rondônia (UNIR), campus de Porto Velho.
            Como o próprio nome do artigo sugere, trata-se da primeira descrição linguística da língua indígena warázu do Guaporé (tupi-gurani). A publicação é o resultado de um estudo de sete semanas realizado pelos autores em 2016 no alto rio Guaporé com os últimos falantes dessa língua. O trabalho inclui notas históricas, uma fonologia comparativa, uma morfologia e um dicionário warázu-português-inglês.
            A pesquisa científica foi realizada com um casal de indígenas pertencentes à etnia Tupi-Guarani, residentes no município de Pimenteiras, em Rondônia, na fronteira entre o Brasil e a Bolívia, que são, possivelmente, os últimos falantes da língua warázu.
            Conforme explica o professor Valdir Vegini, um dos motivos fundamentais para a realização da pesquisa foi o alerta dado pelo Conselho Indigenista Missionário de Rondônia (Cimi), que trabalha há anos no processo de reconhecimento étnico e territorial do povo warázu. “Eles [Cimi], ainda que sem explicações científicas fundamentadas, afirmavam que a língua desse casal tinha algumas peculiaridades que a diferenciava das outras línguas da família tupi-guarani, como - de fato - nós constatamos ao fazermos a descrição”, disse Vegini.
            Segundo o pesquisador, descrever do ponto de vista fonético, fonológico, morfológico, sintático e lexical (dicionário) uma língua ainda não estudada “é de importância abissal para a comunidade científica nacional e internacional porque ela pode conter, como é o caso da língua warázu, uma forma genuína de interpretar o mundo em que vivemos, já que ela, e qualquer língua humana e natural, é uma expressão cultural inconfundível de um grupo étnico ou de um agrupamento humano. Ao classificarmos o warázu como língua, estamos dizendo e comprovando à comunidade científica e acadêmica que ela é uma expressão linguística genuína não somente dentro da família linguística tupi-guarani , mas também no contexto linguístico global”.
            Vegini finaliza afirmando que a pesquisa inédita que está sendo apresentada pelos professores da UNIR “é um resultado científico cada vez mais raro nos dias de hoje e mais ainda no futuro porque o fenômeno da globalização tende a reduzir drástica e celeremente as línguas minoritárias faladas no nosso planeta Terra. A descrição linguística do warázu é, sem dúvidas, um feito extraordinário para a Linguística, a ciência da linguagem humana e natural”.
            O artigo está disponível na íntegra para leitura neste link.

*Fotografia cedida pelo Cimi