Vestibular da licenciatura intercultural da UNIR será realizado em aldeia indígena neste domingo


Publicado em: 11/08/2018 14:59:26.442


   No ano de 2007, movimentos sociais indígenas - em parceria com entidades indigenistas, jovens docentes, pesquisadores e pesquisadoras da região central do estado problematizaram a ausência dos povos indígenas na educação superior pública e na Fundação Universidade Federal de Rondônia (UNIR). Um ano depois foi criado o Curso de Licenciatura em Educação Básica Intercultural no Campus de Ji-Paraná 
    A UNIR realizou no ano de 2009 o primeiro vestibular indígena, que teve como público específico 117 candidatos docentes indígenas, que já atuavam na Educação Escolar Indígena em Rondônia.
    Desse primeiro processo seletivo participaram as etnias Makurap, Cabixi, Jaboti, Canoé, Gavião, Arara, Karipuna, Kaxarari, Karitiana, Aikanã, Mamaidê, Oro Não', Oro Waran, Cinta Larga, Suruí, Tupari e Kampé.
    Após esses quase 10 anos de existência do curso, domingo, 12 de agosto, será realizado mais um processo seletivo para o preenchimento das 50 vagas para o curso de licenciatura intercultural. Além de ser aplicada nos municípios de Porto Velho, Guajará-Mirim, Ji-Paraná, Cacoal e Vilhena, pela primeira vez a etapa da prova escrita do vestibular também ocorrerá em uma aldeia indígena.
    Nesta edição do vestibular, foi escolhida a Aldeia Ricardo Franco, da Terra Indígena Rio Guaporé, distante cerca de 250 km de Guajará-Mirim, com acesso único por meio fluvial. Para a professora doutora Josélia Gomes Neves, docente do Departamento de Educação Intercultural (DEINTER), “este momento constitui uma importante referência nesta caminhada de dez anos de aprendizagens significativas com os Povos Originários da Amazônia com a presença da UNIR cada vez mais nas comunidades indígenas”.
    Estão inscritos, no atual processo seletivo, 437 candidatos e candidatas indígenas. Quanto à relação de “candidatos por vaga”, esse número representa uma concorrência aproximada de 9 inscritos por vaga ofertada.
    De acordo com o professor doutor Quesler Fagundes Camargos, chefe do DEINTER, “essa grande procura pelo curso demonstra que as necessidades de formação e qualificação dos professores indígenas das escolas instaladas nas comunidades indígenas do estado de Rondônia ainda não foram devidamente atendidas e que a universidade, por sua vez, deve promover maiores esforços para implementar ações de ampliação no acesso e na permanência dos povos indígenas no ensino superior”.
    O Curso de Licenciatura em Educação Básica Intercultural tem se mostrado essencial para a formação de docentes indígenas, para lecionar nas escolas de Ensino Fundamental e Médio com vistas ao atendimento das demandas locais, nas áreas de Educação Escolar Intercultural no Ensino Fundamental e Gestão Escolar, Ciências da Linguagem Intercultural, Ciências da Natureza e da Matemática Intercultural e Ciências da Sociedade Intercultural.