UNIR/Campus de Rolim de Moura - Indígena é primeira aluna a defender TCC na Especialização em Gênero e Diversidade na Escola


Publicado em: 18/07/2019 21:30:58.254


A pesquisadora Gisele de Oliveira Montanha é a primeira indígena a defender o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) na Especialização em Gênero e Diversidade na Escola (EGDE), ofertada pelo Departamento de História do campus de Rolim de Moura da Fundação Universidade Federal de Rondônia (UNIR). A defesa aconteceu na tarde do dia 15 de julho de 2019, nas dependências da Escola Indígena Iwará Puruborá, na aldeia indígena Aperoi, localizada no município de Seringueiras, onde a estudante reside e realizou a pesquisa.
O trabalho é intitulado “Protagonismo das mulheres Puruborá: desafios e experiências de luta no movimento indígena”. Na banca de avaliação estavam os professores José Joaci Barboza (orientador), Cynthia Cristina de Morais Mota e Tadeu Pereira dos Santos. Na opinião do orientador da pesquisa, “ficou evidente, durante a defesa do TCC, a importância da Universidade se aproximar das comunidades tradicionais, quer através da pesquisa ou da extensão, e estimular a entrada e permanência desses segmentos através de políticas de acesso e permanência”.
A apresentação contou ainda com a presença de representantes da Educação Escolar Indígena da Coordenadoria Regional de Educação (CRE) de São Francisco, dos professores e professoras da comunidade, além da presença da cacica Hosana Puruborá, que é uma das principais personagens da pesquisa.
Detalhes da pesquisa
No início do trabalho a pesquisadora contextualiza a aldeia Aperoi e a sua formação histórica, o processo de ressurgimento e de organização das instituições dos Puruborá. Em seguida, o trabalho reconstitui o processo de organização das lutas e dos movimentos dos povos indígenas no Brasil, nas décadas de 1970 e 1980, seu protagonismo na construção da constituição cidadã, o direito a educação e saúde diferenciada e as conquistas no tocante a demarcação de algumas terras. Depois, apresenta a matriarca do grupo étnico dona Emília (in memoriam), que foi a responsável pelo agrupamento no local onde hoje se constitui a aldeia Aperoi. Por último, põe em destaque a presença da cacica Hosana Puruborá, atual líder do povo, apresenta as resistências internas e externas ao seu cacicado, a percepção de Hosana como mãe, avó, esposa e cacica; destaca, sobretudo, uma visão de coletivo e de luta que se sobrepõe às questões familiares e pessoais. A metodologia utilizada para a construção do percurso foi a História Oral de Vida e a História Oral Temática. Além da cacica Hosana, foram entrevistadas as seguintes lideranças da comunidade: o professor de língua materna Mário de Oliveira Neto, o professor Deivid Lobato da Silva, a agente indígena de Saúde Valterli Acácio Lobato (bonita), a professora Jeane Souza de Oliveira Domingos, a irmã da cacica Marinez Castro de Oliveira, o morador da comunidade Orlandino Puruborá e a primeira estudante da escola Iwará Puruborá, Orlinda Puruborá.
O professor Joaci destaca que a pesquisadora relatou que o interesse pela história e cultura do seu povo se deu a partir de um projeto anterior de pesquisa chamdo “Resgatando a História e a Memória do Povo Puruborá”, financiado pela MEC/SESU/PROEXT e pelo PIBIC, e realizado em 20XX. Fulana(nome da aluna) foi pioneira em pesquisar o próprio povo. Hoje já foi realizada também uma pesquisa em Medicina Veterinária sobre os parasitas nos peixes dos rios que cortam a terra indígena e existem mais seis acadêmicos pesquisando diversos aspectos materiais e imateriais da cultura indígena no Curso de Licenciatura Intercultural da UNIR (do Campus de Ji-Paraná).