Publicado em: 26/07/2019 10:47:40.136
A professora e pesquisadora Cátia Franciele Sanfelice de Paula* lançou no dia 17/07/2019, durante o XXX Simpósio Nacional de História/Recife-PE, o livro “Trabalhadores e a transformação das relações capitalistas em Rolim de Moura-RO (1970-2018)”.
Originalmente escrita como tese de doutorado, defendida no Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), em 2018, a obra apresenta um processo histórico conflituoso e a leitura sobre o processo migratório a partir das experiências de homens e mulheres como protagonistas da história.
O livro está disponível no site da editora Apriss, nesse link.
Sinopse da obra - O livro é resultado de uma pesquisa sobre a história de trabalhadores que migraram para Rondônia, em específico, para a cidade de Rolim de Moura, nas décadas de 1970 e 1980. Partindo das memórias de homens e mulheres que se deslocaram de diversos lugares, principalmente do estado do Paraná, a obra traz à tona o processo de mudanças e transformação nas relações sociais capitalistas e suas rearticulações, num período histórico conflituoso que perpassa do contexto da ditadura militar ao golpe contemporâneo. Deslocando-se de uma abordagem estrutural, a autora traz como centro da investigação as relações sociais que estiveram presentes num momento histórico e político marcado pelo regime civil militar, pelo avanço das fronteiras e pela criação de diversos órgãos e projetos de intervenção, enquanto tentativa de controle social, por aqueles que assumiram as agências de execução dos projetos de “colonização” de Rondônia. Entre sonhos, projeções e expectativas que moveram os trabalhadores, destaca-se como os limites enfrentados por eles delinearam a constituição de formas coletivas de luta e inviabilizaram a permanência no campo. Enquanto um processo dinâmico e em movimento, as relações modificaram-se à medida que os trabalhadores sofriam e exerciam pressões. Na correlação de forças travadas com diversos agentes, destacam-se suas experiências e como expuseram, a partir de seus valores, a relação que tiveram nesse processo, a configuração política, e como o Estado interveio por meio de políticas públicas que favoreceram a formação de uma economia de mercado responsável por alterar e modificar modos de viver, de trabalhar e de lutar em Rolim de Moura.
Segundo a autora, "o resultado do trabalho reflete um esforço com o tratamento conceitual, pensado como problema histórico e aberto à investigação no social, sempre em movimento, o constante diálogo entre as evidências e o aporte teórico e metodológico, para que os últimos sirvam como instrumento de reflexão sobre a prática do historiador. No diálogo com questões amplas que ocorriam no país, a preocupação com este estudo foi abordá-lo sem que as esferas política, econômica e cultural fossem entendidas de forma separada, evitando, assim, uma análise fragmentada, e que o social fosse visto como algo compartimentado”.
A pesquisadora destaca que o intuito da obra foi possibilitar que os sujeitos, recorrentemente apresentados na historiografia sobre Rondônia como migrantes ou pioneiros, fossem revelados a partir dos questionamentos "Quem eram?" e "Quais experiências dispunham para compreender o processo migratório fomentado pelo Estado a partir da década de 1970".
Cátia também destaca que “o mérito do trabalho esteve em investigar a distância entre o que foi planejado pelo governo ditatorial a partir das experiências de homens e mulheres que migraram, fugindo assim de uma história puramente estrutural, pautada em uma análise conceitual superficial e acrítica materializada em conceitos como 'colonização' e 'modernização', que não permitem a historiografia avançar, para o campo das experiências vividas num período anterior à sistematização dos projetos de colonização elaborados pelo Incra”. Destaca ainda que "a obra abre ao público leitor diversas possibilidades de investigação e junto às possibilidades está o desafio de levar adiante uma reflexão crítica, que, mais do que nunca, tem exigido coragem, compromisso e determinação, a fim de fazer valer o ofício do historiador. Lutar por isso e contra as circunstâncias que as impede é o primeiro passo", finalizou.
*Cátia Franciele Sanfelice de Paula é professora da UNIR desde 2013. Já foi lotada no Departamento de História do Campus de Rolim de Moura e atualmente integra o quadro de professores do Departamento de Educação do Campus de Ariquemes.